Escopo não é lista de desejo
Quase todo orçamento de software que dá errado deu errado antes da primeira linha de código, numa reunião em que alguém leu uma lista de funcionalidades em voz alta e outro alguém disse que sim para todas.
A lista não é o problema. O problema é que ela chega pronta.
O que uma lista pronta esconde
Uma lista de funcionalidades é a resposta de alguém que já decidiu qual é a solução. Quando ela chega pronta, o que ficou de fora foi a pergunta: o que dói hoje, e para quem?
Sem essa pergunta, o que se constrói é a imaginação de alguém sobre o processo, não o processo. E imaginação não tem exceção, não tem gambiarra e não tem a pessoa que resolve tudo no WhatsApp: três coisas que existem em toda operação real.
O que eu faço em vez disso
Peço para ver rodando. Do jeito que roda hoje, com a planilha aberta e o papel na mesa. Não para julgar, mas porque a gambiarra é informação: ela marca exatamente onde o processo oficial não dá conta.
Depois disso a lista muda. Sempre.
A prioridade
Escopo é decisão, e decisão custa. Deixar funcionalidades para depois não é economizar: é escolher qual problema precisa ser resolvido primeiro e reconhecer que não dá para resolver tudo ao mesmo tempo.
O que fica de fora fica anotado. Esquecido é outra coisa.
Tem um processo aí que se parece com isso?